NOTA OFICIAL

EM DEFESA DA SOBREVIVÊNCIA DO TRANSPORTE RODOVIÁRIO DE CARGAS E DOS SEUS TRABALHADORES

3/18/20263 min read

Neste 18 de março de 2026, o Brasil encontra-se sob a ameaça imediata de uma greve nacional no setor de transporte rodoviário de cargas. A Federação Nordeste de Sindicatos de Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Cargas (FENTTROCAR) vem a público manifestar sua profunda preocupação com a crise estrutural que asfixia o setor e declarar solidariedade irrestrita à mobilização e à iminente paralisação da categoria.

O estopim deste cenário de instabilidade extrema é de conhecimento público: um choque externo decorrente das tensões no Oriente Médio, que fez o barril de petróleo saltar vertiginosamente de US$ 72,48 para US$ 103,42. O Governo Federal aponta, com razão, para a guerra como a raiz da alta de 18,86% no diesel S-10 nas últimas semanas. No entanto, a guerra não pode ser usada como um escudo definitivo para ocultar as vulnerabilidades internas e a letargia do Estado brasileiro.

A crise não é apenas importada; ela é agravada por fatores domésticos. Antes mesmo da explosão dos preços internacionais, o mercado corporativo de transporte já arrastava uma defasagem tarifária consolidada da ordem de 10,1% nos fretes. Além disso, sofremos com a alta da carga tributária interna, como o reajuste do ICMS nacional incidente sobre o diesel que entrou em vigor em 1º de janeiro de 2026. O Nordeste, nossa base de atuação e luta, desponta hoje como a região mais penalizada por essa inflação do combustível, estrangulando nossas rotas de escoamento e abastecimento.

Nós, que representamos os trabalhadores celetistas, sabemos que a corda sempre arrebenta no lado mais fraco. Quando o autônomo e as empresas de transporte de cargas (TRC) não conseguem fechar a conta contábil de uma viagem, o impacto no trabalhador formal é devastador. As empresas que sobrevivem impõem um cruel arrocho salarial, congelam benefícios e precarizam as condições diárias de trabalho. Aquelas que não resistem caminham para a insolvência, gerando falências e calotes em direitos trabalhistas.

Hoje, o Brasil amarga um apagão de 120 mil motoristas profissionais (categoria E). Nossos profissionais estão envelhecendo nas boleias, desestimulados por jornadas exaustivas e remunerações corroídas pela inflação do asfalto.

Por tudo isso, a FENTTROCAR vê a ameaça de uma greve nacional não como um ato de anarquia contra o Estado, mas como o último recurso de sobrevivência de uma categoria que chegou ao seu limite matemático. A orientação que ganha força nas bases, focada em "ficar em casa" e cruzar os braços, reflete uma constatação aritmética simples: não vale a pena rodar no prejuízo. Se não há margem para custear a operação, não há como girar a chave na ignição.

Apoiamos as demandas por socorro imediato e advertimos que a paralisação se tornará realidade se nada for feito. Exigimos do Governo Federal soluções estruturais que vão além da mera fiscalização punitiva do Piso Mínimo de Frete. Punir empresas reincidentes é necessário, mas a caneta do Estado não baixa o preço na bomba. Precisamos de uma mesa de diálogo tripartite permanente (Governo, Empresas e Trabalhadores), da revisão imediata da política tributária sobre os combustíveis e de mecanismos que garantam a proteção do emprego formal e da renda do motorista celetista.

Sem o caminhoneiro, o Brasil para. Sem condições dignas de trabalho, a logística nacional agoniza. Estamos prontos para o diálogo construtivo, mas firmes e solidários à nossa classe na defesa da vida, do trabalho e do sustento das famílias rodoviárias do Nordeste e de todo o país.

Fortaleza, 18 de março de 2026.

Mirio Rotex João Pavan - Presidente da FENTTROCAR